Praga, com nome e sobrenome

Ao planejar viagem a Praga, você tem certeza que encontrará muitas das esquinas percorridas por Franz Kafka. No entanto, ao caminhar por suas ruas, com o encantamento à flor da pele, você verá que esse não é o único nome próprio recorrente que o surpreenderá na bela capital da República Tcheca.

Por: Jess Garbarino

Publicado: Septiembre 26, 2019

As metamorfoses de Franz Kafka

É sempre cantado, e você sabe que, ao andar pelas ruas de Praga, de várias maneiras encontrará com o autor de A Metamorfose. Na capital de Tchéquia, parece que foi perdoada a preferência dele pelo idioma alemão (ao invés do tcheco), ao escrever. Não será necessário procurá-lo. Kafka aparecerá para você em todos os lugares. O castelo coroado pela Catedral de San Vito, dominando toda a cidade, evocará o seu romance inacabado, enquanto as lojas repletas de pôsteres e camisetas que estampam a esquálida silhueta do escritor farão o seu trabalho de marketing. Mas, se você quiser ir para o concreto, pode caminhar alguns passos desde a Praça da Cidade Antiga até aquela que foi a casa de infância dele, e onde nasceu, ao lado do Café Kafka. Então, quando você visitar o Beco do Ouro com suas casas minúsculas, no número 22  apontarão o lugar aonde morava uma de suas irmãs. Você também pode visitar o Museu Franz Kafka, às margens do rio Moldava, com uma vista privilegiada da Ponte Carlos. Mas, no caso de se tratar de metamorfose, será necessário seguir a trilha do escritor em duas estátuas feitas com as visões muito peculiares de seus escultores: na versão Jaroslav Rona, Kafka monta um corpo sem pés, cabeça ou mãos, em pleno bairro judeu de Josefov, ao lado da Sinagoga Espanhola. Enquanto isso, a mais recente aquisição da cidade, localizada ao lado do centro de negócios Quadrio, é o trabalho do polêmico David Černý, que criou uma enorme cabeça prateada, com onze metros de altura, dividida em 42 camadas e, à medida que gira, descompõe o famoso rosto do escritor.

Quem entende Wolfang Amadeus Mozart

A cidade e o compositor austríaco professam (até hoje) um carinho particular. Em algum momento, alguém contará a você a história sobre um Mozart incompreendido em Viena e aplaudido em Praga após a apresentação da ópera O Casamento de Figaro, no Teatro Estatal. Algo que o levou a dizer: "Meus praguenses me compreendem". Você também saberá que Mozart dedicou à cidade a sinfonia nº 38 em Ré Maior K. 504 (conhecida como Sinfonia de Praga), estreada no Teatro Nacional, onde compôs a ópera Don Giovanni, que estreou no Teatro Estatal. Assim, nas idas e vindas da gratidão, a cidade dedicou ao músico um museu na Villa Bertramka, em Praga 5, aonde o compositor se hospedava com seus amigos, os Duschek, durante suas visitas.

David Černý, o humor de um provocador

Nas ruas de Praga, a sugestiva denúncia social deste escultor tcheco o assola aqui e ali, e você não pode deixar de sorrir para as suas obras. Talvez, a mais fotografada seja a fonte que as pessoas batizaram como "Os mijões" - embora seu nome verdadeiro se traduza em algo assim como "Jatos". A fonte está localizada em frente ao Museu Franz Kafka, e representa dois homens com quadris móveis que urinam no mapa do país, formando letras... e as interpretações pioram, mesmo que Černý não dê mais detalhes. A Torre de Comunicações da cidade, por outro lado, tem um adendo monumental: bebês escalando portentosas colunas de concreto. Há também a cabeça rotativa de Kafka e, do mesmo material, uma mulher grávida com música na barriga, para receber quem se atrever a retornar ao ventre da mãe. Na rua Husova, pendurado em uma mão, você pode encontrar Sigmund Freud. E a alguns metros da impactante estátua de São Venceslau I da Boêmia, que impera na imensa praça de mesmo nome, você verá na Galeria Lucerna (Vodičkova 36) um cavalo morto, de cabeça para baixo, montado pelo soberano, a questionar a imagem intocável do patrono tcheco. E não acaba aí: há mais surpresas por toda a cidade, para descobrir quando você menos espera.

Art nouveau com Alfons Mucha

Cubismo, barroco, românico, gótico, renascentista... Entre a profusão de estilos arquitetônicos e artísticos reunidos na cidade, art nouveau parece ter seu próprio nome: Alfons Mucha. Ele é encontrado em cada loja de lembranças de Praga, com seus desenhos de mulheres estilizadas reproduzidos em caixas, pôsteres e camisetas. Você também o encontrará aonde provavelmente não suspeitava. Um dos vitrais da Catedral de San Vito (ao lado esquerdo), que conta a lenda de São Cirilo e Metodio, é trabalho dele. Para aprender mais sobre sua vida e seu trabalho você poderá visitar o museu a ele dedicado. Se quiser alguma peça art nouveau projetada pelas novas gerações de artistas, visite a loja da neta de Mucha, Jarmila, e conheça os trabalhos dela baseados em projetos do famoso avô.

Relativa calma para Albert Einstein

Uma placa em um dos lados da Praça da Cidade Antiga faz presente em Praga o famoso físico que formulou a Teoria da Relatividade. A placa nos faz lembrar que, durante 16 meses (entre 1911 e 1912), Einstein viveu e trabalhou na cidade, ensinando na universidade. O bronze nos lembra que ali, nas reuniões de intelectuais às quintas-feiras, no Salão de Berta Fanta - ou Casa do Unicórnio, o cientista tocava violino e convivia com os famosos escritores Max Brod e Franz Kafka. Também, podemos seguir seus passos até o Café Louvre, onde era comum vê-lo; ou caminhar pela rua Lesnická, onde ele morava, e seguir o caminho que percorria até a universidade, talvez perdido nas ideias que o ajudaram consolidar a famosa teoria que formulara havia alguns anos.

 

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